quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Autismo infantil

A palavra "Autismo" foi criada por Eugene Bleuler, em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, que definiu como sendo uma "fuga da realidade".
 Leo Kanner ( Psiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos. Nascido em 13 de junho de 1894, em Klekotow, Áustria e falecido em 4 de abril de 1981 ) e m 1943 publicou a obra que associou seu nome ao autismo "Autistic disturbances of affective contact", na revsta Nervous Children, número 2, páginas 217-250. Nela estudou e descreveu a condição de 11 crianças consideradas especiais, que tinham em comum "um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da rotina", denominando-as de "autistas".

Apesar das numerosas pesquisas consagradas à síndrome do autismo, a polêmica em torno dessa patologia subsuste, especialmente sobre as causas ou fatores desencadeantes.
O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, isto é, algo que faz parte da constituição do indivíduo e afeta a sua evolução. Caracteriza-se por alterações na interação social, na comunicação e no comportamento. Manifesta-se antes dos 3 anos e persiste durante a vida adulta. Há outros distúrbios do desenvolvimento que se enquadram no perfil de problemas autísticos, mas que não incluem todas as características da doença.
Basicamente, quatro fatores indicam a presença do autismo infantil: problemas de relacionamento social, dificuldade de comunicação, atividades e interesses restritos e repetitivos e início precoce.
Os Sintomas presentes nas crianças autistas são identificáveis como, por exemplo, quando preferem estar só, não formam relações pessoais intimas, não abraça, evita contato no olho, resiste a mudanças, é excessivamente presa a objetos familiares e repete continuamente certos gestos e rituais, começa a falar mais tarde, podem usar o idioma de modo estranho ou pode não conseguir usá-la, pode não querer não poder ou não querer falar nada.
A criança autista pode ter dificuldades a entender o que falamos, pode repetir as palavras dita a ela mesma (ecolalia), inverte o uso de pronomes usando principalmente o ‘tu’ em vez do eu ou mim para referir-se a si própria.

Mitos e Verdades sobre o Autismo

O Mito: os autistas têm mundo próprio.
A Verdade: os autistas têm dificuldades de comunicação, mas mundo próprio não. O que é difícil é comunicar com eles, nós não entendemos, ficamos sem paciência e surgem conflitos. Ensiná-los a comunicar pode ser difícil, mas acaba com estes conflitos.

O Mito: os autistas são super inteligentes.
A Verdade: assim como as pessoas normais, os autistas tem variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de retardo mental.

O Mito: os autistas não gostam de carinho.
A Verdade: todos gostam de carinho, com os autistas não é diferente. Acontece que alguns têm dificuldades com relação a sensação táctil, podem sentir-se sufocados com um abraço por exemplo. Nestes casos deve-se ir aos poucos, querer um abraço eles querem, a questão é entender as sensações. Procure avisar antes que vai abraça-lo, prepare-o primeiro por assim dizer. Com o tempo esta fase será dispensada.

O Mito: os autistas gostam de ficar sozinhos.
A Verdade: os autistas gostam de estar com os outros, principalmente sentirem-se bem com as pessoas, mesmo que não participem, gostam de estar perto dos outros. Podem as vezes estranhar quando o barulho for excessivo, ou gritar em sinal de satisfação, quando os seus gritos não são compreendidos, muitas vezes pensamos que não estão a gostar. Tente interpretar os seus gritos.

O Mito: eles são assim por causa da mãe ou porque não são amados.
A Verdade: o autismo é um distúrbio neurológico, pode acontecer em qualquer família, religião etc. A maior parte das famílias em todo o mundo tendem a mimá-los e superprotegê-los, são muito amados.

O Mito: os autistas não gostam das pessoas.
A Verdade: os autistas amam sim, só que nem sempre sabem demonstrar isto. Os problemas e dificuldades de comunicação deles impedem-os de ser tão carinhosos ou expressivos, mas acredite que mesmo quietinho, no canto deles, eles amam sim, sentem sim, até mais que os outros.

O Mito: os autistas não entendem nada do que está a acontecer.
A Verdade: os autistas podem estar a entender sim, a nossa maneira de entendimento dá-se pela fala, logo se a pessoa não fala, acreditamos que não está a entender, mas assim como qualquer criança que achamos que não esta a prestar atenção, não esta a entender, de repente a criança diz qualquer coisa e vemos que ela não perdeu nada do que se falou, o autista só tem a desvantagem de não poder falar. Pense bem antes de falar algo perto deles.

O Mito: o certo é interná-lo, afinal numa instituição saberão como cuidá-lo.
A Verdade: toda a criança precisa do amor da sua família, a instituição pode ter terapeutas, médicos, mas o autista precisa de mais do que isto, precisa de amor, de todo o amor que uma família pode dar, as terapias fazem parte, uma mãe, um pai ou alguém levá-lo e trazê-lo também.


O Mito: ele grita, esperneia porque é mal educado.
A Verdade: o autista não sabe comunicar, tem medos, tem dificuldades com o novo, prefere a segurança da rotina, então um caminho novo, a saída de um brinquedo leva-os a tentar uma desesperada comunicação, e usam a que sabem melhor, gritar e espernear. Nós sabemos que isto não é certo, mas irritamos-nos, preocupamos-nos com olhares dos outros, as vezes até ouvimos aqueles que dizem que a criança precisa apanhar, mas nada disto é necessário, se desse certo bater, todo o burro viraria doutor! Esta fase de gritar e espernear passa, é duro, mas passa. Mesmo que pareça que ele não entende, diga antes de sair que vai por ali, por aqui etc. e seja firme nas suas decisões. Não ligue aos olhares dos outros, você tem mais que fazer. Não bata na criança , isto não ajudará em nada, nem a você e nem a ele. Diga com firmeza que precisa ir embora por exemplo, e mantenha-se firme por fora, por mais difícil que seja. Esta fase passa, eles precisarão ser a firmeza do outro.

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